Polícia PEDIDO INUSITADO
Pastor pede proteção para Marcola e Beira-Mar e cita risco de “salve geral” em caso de ação dos EUA
Habeas corpus preventivo apresentado ao STF pediu que líderes ligados ao PCC e ao Comando Vermelho fossem mantidos em local sigiloso; ministro Edson Fachin não deu seguimento ao pedido
19/09/2026 14h22
Por: Redação H1MT
Reprodução

Um habeas corpus preventivo apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em favor de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, chamou atenção ao levantar a hipótese de uma reação coordenada de facções criminosas caso os dois fossem retirados do Brasil em uma suposta operação dos Estados Unidos.

O pedido foi apresentado pelo pastor Oséas de Campos e registrado no Supremo como HC 273757. No processo, Marcola e Beira-Mar aparecem como pacientes, enquanto o governo dos Estados Unidos foi indicado pelo autor como autoridade relacionada à suposta ameaça.

Pastor fala em risco de “salve geral”

Em uma carta manuscrita, datada de 2 de junho, Oséas afirma temer que os dois presos sejam retirados do território brasileiro pelos Estados Unidos. Por isso, pediu que Marcola e Beira-Mar fossem transferidos para um local sigiloso, cuja localização fosse conhecida apenas por autoridades da Justiça, Ministério Público e familiares.

O pastor também alegou que uma eventual ação contra os dois poderia provocar um chamado “salve geral”, expressão utilizada no meio criminoso para se referir a uma ordem coordenada de ataques.

No documento, o autor menciona a onda de violência registrada em São Paulo em 2006 e levanta a possibilidade de ataques simultâneos em diferentes cidades brasileiras.

Não há, porém, no material divulgado, evidência de que a CIA esteja planejando sequestrar Marcola ou Fernandinho Beira-Mar. A possibilidade é uma hipótese apresentada pelo próprio autor do habeas corpus.

Pedido ocorre após decisão dos Estados Unidos

O habeas corpus foi apresentado no contexto da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Segundo a publicação, a designação norte-americana passou a valer em 5 de junho de 2026. O ato trata da classificação das organizações e não apresenta qualquer indicação de uma operação destinada a retirar Marcola ou Beira-Mar do Brasil.

Marcola é apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC. Já Fernandinho Beira-Mar possui ligação histórica com o Comando Vermelho. Os dois cumprem penas no sistema penitenciário federal.

Fachin não dá seguimento ao habeas corpus

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, não deu seguimento ao pedido.

Na decisão, tomada em 22 de junho, Fachin considerou que o habeas corpus não apontava um ato concreto de autoridade que justificasse a análise direta do caso pelo Supremo.

O ministro determinou que a petição fosse encaminhada à Defensoria Pública de São Paulo para avaliação sobre eventuais providências.

Dessa forma, embora o documento apresentado ao STF mencione a possibilidade de ataques de facções criminosas pelo país, a alegação partiu do autor da ação e não representa a constatação de um plano existente das organizações criminosas ou de uma operação da inteligência norte-americana.