Geral ARTIGO
Quantas horas a mais marcam R$ 720 mil?
Enquanto Alexandre de Moraes exibe um Patek Philippe avaliado em R$ 720 mil, André Mendonça usa um Seiko de R$ 4 mil. A diferença de 180 vezes no preço coloca em perspectiva luxo, remuneração e patrimônio no STF.
10/09/2026 15h58
Por: Redação H1MT Fonte: Por Nathália Fernandes
Reprodução

Se existe algo capaz de resumir uma diferença sem precisar abrir um voto de 200 páginas, talvez esteja no pulso. Alexandre de Moraes e André Mendonça, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), parecem frequentar fusos horários bastante diferentes quando o assunto é relógio. De um lado, Moraes aparece com um Patek Philippe avaliado em R$ 720 mil pelo Canal do Relógio. Do outro, Mendonça usa um Seiko de cerca de R$ 4 mil, segundo o mesmo perfil. É praticamente o encontro entre a alta relojoaria suíça e o “marca as horas e seguimos trabalhando”.

A cifra fica ainda mais curiosa quando colocada em perspectiva. Um homem com remuneração mensal na casa dos R$ 50 mil ostenta no pulso um relógio avaliado em R$ 720 mil. São mais de 14 meses de remuneração bruta inteira transformados em horas, minutos e segundos - isso sem gastar um centavo com impostos, moradia, alimentação ou qualquer outra despesa da vida real. É claro que salário não é sinônimo de patrimônio e, sozinho, não explica nem condena a aquisição de um bem. Ainda assim, convenhamos: é o tipo de conta capaz de fazer até o ponteiro parar por alguns segundos.

Mendonça também não está exatamente fazendo voto de pobreza. O ministro já chamou atenção pela alfaiataria de alto padrão, mas, no pulso, a escolha é consideravelmente mais modesta: um Seiko na faixa dos R$ 4 mil. Na comparação direta, o relógio atribuído a Moraes equivale ao preço de aproximadamente 180 Seikos como o de Mendonça. A diferença, portanto, vai além de gosto ou estilo: ajuda a colocar em perspectiva o padrão de consumo de quem ocupa um dos cargos mais poderosos da República.

E é justamente aí que o relógio deixa de ser apenas um acessório. O problema não é gostar de Patek Philippe; é a conta despertar perguntas. Autoridades públicas estão naturalmente submetidas a um grau de escrutínio que não se exige do cidadão comum, sobretudo quando luxo, poder e cifras dessa magnitude aparecem no mesmo pulso. Um relógio caro, por si só, não comprova qualquer irregularidade, mas patrimônio e renda de agentes públicos são assuntos legítimos de interesse público. Afinal, em Brasília, muita coisa pode até funcionar em outro fuso horário. A matemática, não. O Patek pode custar uma fortuna; a conta é que precisa fechar.