Geral JUSTIÇA
Laudo recomenda desinternação de homem que matou tia e arrancou coração em MT
Equipe do Adauto Botelho aponta estabilidade clínica de Lumar Costa da Silva; ele já havia deixado a unidade anteriormente, mas voltou a ser internado após ser acusado de ameaçar a ex-esposa
07/09/2026 10h06
Por: Redação H1MT
Reprodução

Um novo laudo elaborado pela equipe do Centro Integrado de Atenção Psicossocial Adauto Botelho, em Cuiabá, recomenda a desinternação de Lumar Costa da Silva, responsável pela morte da própria tia, Maria Zélia da Silva, de 55 anos, em um crime ocorrido em 2019, em Sorriso.

O caso ganhou repercussão nacional pela brutalidade. Maria Zélia foi morta a facadas e teve o coração retirado pelo sobrinho após o assassinato.

LAUDO APONTA ESTABILIDADE CLÍNICA

De acordo com o novo relatório, Lumar apresenta atualmente estabilidade clínica, sem sinais de psicose, agitação ou comportamento agressivo.

A avaliação descreve o paciente como lúcido e orientado, com humor estável, discurso organizado e sem presença de delírios. O documento também aponta que ele apresenta juízo crítico da realidade e compreensão sobre sua condição de saúde mental.

Com base nessa avaliação, a equipe do Adauto Botelho recomenda que Lumar deixe a internação hospitalar.

Isso, porém, não significa que ele será automaticamente colocado em liberdade. A desinternação ainda depende de decisão judicial.

ELE JÁ HAVIA SIDO DESINTERNADO

Lumar já havia deixado a unidade psiquiátrica em junho de 2025 e retornado para Campinas, em São Paulo.

Meses depois, em novembro, ele voltou a ser preso após ser acusado de ameaçar a ex-esposa. Diante do episódio, a Justiça determinou seu retorno ao Adauto Botelho, onde permanece internado.

Agora, a possibilidade de uma nova desinternação volta a ser analisada.

Antes de decidir, a Justiça determinou a realização prioritária de um exame de cessação de periculosidade pela Politec. O resultado deverá ser considerado na análise sobre a possibilidade de Lumar passar a receber tratamento ambulatorial em Campinas, sob supervisão e curatela do pai.

CRIME CHOCOU MATO GROSSO

O assassinato ocorreu em julho de 2019, em Sorriso.

Lumar matou a tia a facadas e, posteriormente, retirou o coração da vítima.

Durante o processo criminal, ele foi submetido a exame de sanidade mental. A perícia apontou transtorno afetivo bipolar tipo 1 e concluiu que, no momento do crime, ele não possuía capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos.

O laudo foi homologado pela Justiça em 2021 e Lumar foi considerado inimputável. Por essa razão, não foi submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.

DECISÃO AGORA ESTÁ NAS MÃOS DA JUSTIÇA

Apesar da recomendação médica favorável, caberá ao Judiciário definir se existem condições para uma nova desinternação.

O exame de cessação de periculosidade será um dos elementos considerados antes de qualquer decisão sobre a substituição da internação por acompanhamento ambulatorial.

O caso volta a chamar atenção justamente porque Lumar já havia sido desinternado anteriormente e retornou à internação meses depois, após o episódio envolvendo a ex-esposa.