Campo Novo do Parecis MIGALHAS
Rafael Machado critica “migalhas” de deputados e provoca eleitor sobre falta de representatividade regional
Em vídeo que começa a gerar repercussão, candidato compara o potencial econômico de Campo Novo do Parecis com o volume de emendas recebidas e questiona modelo em que parlamentares buscam votos na região, mas destinam poucos recursos ao município
04/09/2026 12h29
Por: Redação H1MT
Reprodução

Um vídeo divulgado pelo candidato a deputado estadual Rafael Machado (Podemos) colocou no centro da campanha uma discussão que há anos incomoda parte da população de Campo Novo do Parecis: quanto o município entrega para Mato Grosso e quanto recebe de volta por meio da atuação de seus representantes na Assembleia Legislativa?

Sem rodeios, Rafael apresenta números e faz uma crítica ao modelo político em que deputados de outras regiões aparecem em Campo Novo do Parecis em períodos eleitorais, conquistam votos e, durante o mandato, retornam com recursos que, diante da força econômica do município, seriam pouco representativos.

A palavra que resume a provocação feita pelo candidato é forte: migalhas.

VEJA O VÍDEO AQUI

R$ 2,9 MILHÕES: “QUASE NADA”

No vídeo, Rafael apresenta um documento com emendas parlamentares destinadas a Campo Novo do Parecis e afirma que, entre 2024 e 2025, o município recebeu cerca de R$ 2,9 milhões em emendas parlamentares.

Na sequência, ele dispara:

“Quase nada.”

O argumento utilizado por Rafael parte de uma comparação com a dimensão econômica do município. No vídeo, o candidato destaca que Campo Novo do Parecis possui um PIB de aproximadamente R$ 4,7 bilhões e questiona a distância entre a riqueza produzida localmente e os recursos destinados por meio das emendas.

“E você sabia que um deputado estadual tem R$ 27 milhões e 500 mil em emendas parlamentares para a saúde?”, questiona Rafael no vídeo.

Logo depois, ele reforça:

“Pois é, a conta não fecha, né?”

A mensagem é construída para levar o eleitor a uma reflexão: se a região possui tamanha força econômica e eleitoral, por que ainda depende de pequenas parcelas de recursos distribuídas por parlamentares que possuem suas principais bases políticas em outros municípios?

DEPUTADOS BUSCAM VOTOS, MAS QUANTO DEVOLVEM PARA A REGIÃO?

É justamente nesse ponto que o vídeo toca em uma ferida da política regional.

A cada eleição, candidatos a deputado estadual de diferentes partes de Mato Grosso desembarcam em Campo Novo do Parecis em busca de votos. Fazem reuniões, conquistam apoiadores, montam grupos políticos e recebem milhares de votos.

Depois da eleição, porém, fica a pergunta levantada pela campanha de Rafael: o retorno é proporcional à confiança recebida nas urnas?

Emendas parlamentares são instrumentos legítimos e importantes para financiar saúde, infraestrutura, esporte, educação e outras políticas públicas. A crítica, portanto, não deve ser à existência desses recursos, mas à proporção do que chega à região diante de sua relevância econômica e eleitoral.

Um exemplo oficial mostra que Campo Novo do Parecis recebeu, em 2024, uma emenda estadual de R$ 100 mil destinada à aquisição de materiais esportivos.

Isoladamente, todo recurso ajuda. Mas o questionamento colocado pelo vídeo é outro: Campo Novo deve continuar comemorando pequenas emendas como grandes conquistas ou precisa construir força política para disputar uma parcela maior dos recursos e das decisões do Estado?

“TER VOZ E FORÇA PARA NOSSA REGIÃO”

Rafael transforma os números em argumento eleitoral e aponta a falta de um representante diretamente ligado à região como parte do problema.

Em um dos momentos centrais do vídeo, afirma ser necessário ter:

“representante forte, ter voz e força para nossa região na Assembleia Legislativa.”

Essa bandeira não surgiu agora. Desde o início da campanha, Machado vem defendendo que o Chapadão do Parecis e o Noroeste precisam aumentar sua representação política, especialmente diante da importância econômica da região.

Nesta semana, o candidato voltou a relacionar essa falta de representação a outra de suas principais bandeiras, a BR-364, afirmando que “o que nos falta ainda é representatividade política da nossa região” e defendendo que o primeiro passo seria conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

A REFLEXÃO QUE FICA PARA O ELEITOR

A crítica de Rafael toca diretamente em uma questão que Campo Novo do Parecis terá de responder nas urnas.

Durante anos, o município distribuiu seus votos entre candidatos de diferentes regiões. Muitos foram eleitos. Alguns destinaram recursos e mantiveram presença política no município; outros tiveram uma relação bem menos próxima depois da eleição.

Agora, a campanha de Rafael tenta mudar essa lógica.

Mais do que perguntar quem trouxe uma emenda, o vídeo propõe que o eleitor pergunte quanto trouxe, durante quanto tempo esteve presente, quais grandes pautas da região defendeu e qual foi o retorno efetivo dos votos recebidos em Campo Novo do Parecis.

É uma discussão legítima.

Porque representatividade não pode ser medida apenas pela fotografia ao lado de uma placa anunciando uma emenda. Ela precisa ser avaliada pela capacidade de defender orçamento, infraestrutura, saúde, educação, segurança e os grandes projetos capazes de mudar o futuro de uma região.

Campo Novo do Parecis possui força econômica. Possui população. Possui produção. Possui votos.

A pergunta levantada pelo vídeo de Rafael Machado é simples, mas politicamente incômoda:

até quando a região continuará entregando votos para candidatos de fora e se contentando com migalhas na hora da divisão dos recursos?

Na reta final da eleição, Rafael aposta justamente nessa reflexão para defender seu projeto de chegar à ALMT: “Vote certo. Vote em quem é daqui.”