Geral EM BRASÍLIA
Caso Master provoca “salve-se quem puder” em Brasília e amplia crise entre STF, PGR e PF
Novas mensagens de Daniel Vorcaro aumentam pressão sobre autoridades e desencadeiam movimentos nos bastidores para conter desgaste; Moraes, Mendonça, Gonet e direção da PF estão no centro da disputa
04/09/2026 07h24
Por: Redação H1MT
Reprodução

As novas revelações do Caso Banco Master provocaram uma verdadeira guerra de bastidores em Brasília. À medida que mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro vêm a público, diferentes grupos políticos e institucionais passaram a se movimentar para tentar conter os danos provocados pela crise.

A avaliação é da coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, que descreve o momento como uma operação de “salve-se quem puder” na capital federal.

No centro da turbulência aparecem integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), Procuradoria-Geral da República (PGR), Polícia Federal e governo Lula.

MORAES, GONET E ANDREI NO CENTRO DA CRISE

Segundo a coluna, um dos grupos mais ativos nos bastidores envolve o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Os três tiveram seus nomes mencionados em mensagens de Vorcaro que vieram a público nos últimos dias.

A publicação relata que, diante do desgaste, aliados passaram a atuar politicamente e institucionalmente para tentar reduzir os impactos da crise.

Nesse movimento aparece também o ministro Gilmar Mendes, decano do STF. Segundo a análise da coluna, Gilmar tem interesse em evitar que a crise provoque um enfraquecimento institucional do Supremo e de aliados dentro da Corte.

Outro personagem citado é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que já manifestou resistência à abertura de processo de impeachment contra Moraes.

GRUPO DE MORAES BUSCA APOIO DE LULA

A crise também chegou ao Palácio do Planalto.

Segundo a coluna, aliados de Moraes esperavam uma reação mais contundente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do ministro.

Lula, entretanto, adotou uma posição diferente.

Sem citar diretamente Moraes, o presidente defendeu publicamente que todos os envolvidos no Caso Master sejam investigados, “sem blindagem, doa a quem doer”.

A postura ocorre a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial e, segundo a análise publicada pelo Metrópoles, também leva em consideração o risco de o escândalo provocar desgaste eleitoral para Lula.

MORAES PARTE PARA CIMA DE MENDONÇA

Enquanto tenta administrar as consequências das mensagens envolvendo Vorcaro, Moraes abriu outra frente de confronto dentro do próprio Supremo.

Na quinta-feira (3), o ministro encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, pedido para que a atuação de André Mendonça seja investigada.

Moraes aponta supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e possível favorecimento a determinados grupos políticos durante a atuação de Mendonça como relator dos casos Master e INSS.

As acusações são feitas por Moraes e não representam conclusão de que Mendonça tenha cometido esses crimes.

A ofensiva ocorreu depois de Mendonça autorizar a retirada do sigilo do relatório que permitiu a divulgação das mensagens de Vorcaro envolvendo Moraes.

JORGE MESSIAS TAMBÉM ENTRA NO FOGO CRUZADO

O advogado-geral da União, Jorge Messias, também acabou atingido pela disputa.

De acordo com a coluna, integrantes da cúpula da Polícia Federal criticam Messias por supostamente não ter reagido às decisões tomadas por Mendonça.

Messias, porém, teria uma interpretação completamente diferente.

Segundo o Metrópoles, ele avalia que as críticas fariam parte de um movimento para desgastá-lo e, ao mesmo tempo, preservar Paulo Gonet, que também possui atribuições relacionadas ao controle externo da atividade policial.

A situação é particularmente delicada para Messias porque ele ainda alimenta a expectativa de voltar a ser indicado por Lula para uma cadeira no Supremo.

FACHIN TENTA ADMINISTRAR CRISE DENTRO DO STF

No centro desse confronto está agora o presidente do Supremo, Edson Fachin.

Fachin determinou prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues apresentem esclarecimentos sobre diferentes pontos relacionados à crise.

Segundo a análise da coluna, o presidente da Corte tenta agir com cautela diante de uma situação extremamente delicada: precisa administrar uma disputa que envolve integrantes do próprio Supremo e, ao mesmo tempo, preservar a credibilidade institucional da Corte.

A forma como Fachin conduzirá o episódio poderá determinar se a crise permanecerá concentrada nos bastidores ou chegará definitivamente ao plenário do STF.

MINISTRO DA JUSTIÇA ADOTA SILÊNCIO

Enquanto vários personagens travam uma guerra pública de versões, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, adotou uma estratégia diferente.

Segundo a publicação, ele tem mantido postura discreta, evitando manifestações públicas sobre o confronto entre STF, Polícia Federal e integrantes do governo.

A posição chama atenção porque o Ministério da Justiça está diretamente relacionado à estrutura administrativa da Polícia Federal, uma das instituições envolvidas no embate.

CASO MASTER SE TRANSFORMA EM GUERRA DE SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA

O cenário descrito pelo Metrópoles mostra que o Caso Master ultrapassou há muito tempo os limites de uma investigação sobre uma instituição financeira.

A divulgação das mensagens de Vorcaro colocou autoridades de diferentes Poderes sob pressão e desencadeou uma sequência de acusações, pedidos de investigação, manifestações políticas e movimentos de bastidores.

De um lado, Moraes questiona a atuação de Mendonça. De outro, surgem cobranças sobre Moraes, Gonet e integrantes da Polícia Federal. Fachin tenta administrar a crise institucional, enquanto o governo Lula calcula os possíveis efeitos políticos e eleitorais do episódio.

É importante ressaltar que a citação de autoridades nas mensagens de Vorcaro não comprova, isoladamente, a prática de crimes ou irregularidades. Parte relevante do que ocorre neste momento envolve versões conflitantes, interpretações jurídicas e acusações ainda sem conclusão definitiva.

Mas uma coisa já parece evidente: o Caso Master abriu uma das maiores frentes de desgaste político e institucional de Brasília em 2026.

À medida que novas mensagens e documentos aparecem, cresce também a disputa para saber quem conseguirá atravessar a crise com menos danos.

Como resumiu a análise do Metrópoles, Brasília entrou em clima de “salve-se quem puder”.