O passado voltou com força ao debate entre os candidatos ao Senado por Mato Grosso nesta quinta-feira (3). Pedro Taques (PSB) e Zé Medeiros (PL) protagonizaram um dos confrontos mais duros do encontro promovido pelo g1 ao discutirem o polêmico episódio da ata da chapa ao Senado nas eleições de 2010.
Taques acusou Medeiros de ter sido beneficiado pela falsificação de uma ata que alterou a ordem dos suplentes da chapa. Segundo o ex-governador, Paulo Fiúza deveria ser o primeiro suplente e Medeiros o segundo.
A alteração foi decisiva porque, quando Taques deixou o Senado em 2015 para assumir o Governo de Mato Grosso, foi Zé Medeiros quem ocupou sua cadeira.
Durante o embate, Taques elevou o tom e afirmou que chegou a prestar depoimento no processo envolvendo o caso.
“Você só virou senador porque você falsificou a ata”, disparou o ex-governador.
Taques também lembrou que o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) chegou a cassar o mandato de Medeiros em 2018 após reconhecer a existência de fraude na documentação que estabeleceu a ordem dos suplentes.
A decisão regional concluiu que a composição verdadeira colocava Paulo Fiúza como primeiro suplente e Zé Medeiros como segundo. A ata considerada fraudada inverteu as posições, beneficiando Medeiros.
Zé Medeiros reagiu imediatamente e negou ter sido responsável pela falsificação.
O candidato do PL afirmou que não participou da elaboração da ata e disse que, caso alguém tenha alterado deliberadamente o documento, não teria sido ele.
Medeiros chamou Pedro Taques de “caluniador” e argumentou que o próprio ex-governador teria apresentado seu nome durante a campanha de 2010 como primeiro suplente.
O parlamentar sustenta que sempre teve tranquilidade em relação ao episódio e rejeita a acusação de que tenha pessoalmente falsificado o documento.
O episódio não ficou restrito a uma disputa política.
Em 2018, o plenário do TRE-MT decidiu por unanimidade pela cassação do mandato de Medeiros ao concluir que houve fraude na ata da convenção, com inversão da ordem dos suplentes.
A decisão declarou a ata adulterada inválida e reconheceu Paulo Fiúza como verdadeiro primeiro suplente. Fiúza chegou a ser diplomado pelo TRE-MT para assumir a cadeira.
Isso, entretanto, exige uma diferenciação importante: o reconhecimento judicial da existência da fraude e do benefício eleitoral recebido por Medeiros não significa automaticamente que tenha sido comprovado que ele próprio materialmente falsificou o documento.
É justamente esse ponto que Medeiros utiliza para contestar a acusação feita por Taques.
A decisão do TRE-MT não resultou na saída definitiva de Medeiros do Senado.
O parlamentar recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e conseguiu, em agosto de 2018, uma liminar suspendendo os efeitos da decisão regional.
Posteriormente, o plenário do TSE manteve a suspensão, permitindo que Medeiros continuasse exercendo o mandato enquanto o processo seguia sua tramitação.
Dezesseis anos depois da eleição que originou a controvérsia, o episódio voltou ao centro do debate justamente quando Pedro Taques e Zé Medeiros disputam novamente o voto do eleitor mato-grossense — agora concorrendo diretamente a uma das duas cadeiras do Senado.
Taques utiliza o caso para questionar a trajetória política do adversário.
Medeiros, por sua vez, sustenta que está sendo vítima de uma acusação pessoal e insiste que nunca falsificou a ata.
O que está documentado é que a Justiça Eleitoral de Mato Grosso reconheceu a existência de fraude na ata e concluiu que a alteração beneficiou Medeiros ao colocá-lo como primeiro suplente. A afirmação de que Medeiros pessoalmente realizou a falsificação, porém, é uma acusação feita por Pedro Taques e contestada pelo candidato do PL.
O episódio transformou o debate desta quinta-feira em um verdadeiro acerto de contas entre dois personagens que, em 2010, estavam na mesma chapa eleitoral e que, 16 anos depois, estão frente a frente na disputa pelo Senado.