Cidades EM SORRISO
Carros dados como entrada em concessionária eram desviados em esquema de R$ 50 milhões em MT
Clientes entregavam veículos usados na compra de automóveis novos, mas os valores não eram abatidos dos financiamentos; entre 15 e 20 vítimas já foram identificadas
26/08/2026 18h57
Por: Redação H1MT

Carros entregues por clientes como entrada na compra de veículos novos eram desviados para outra garagem, enquanto os compradores ficavam com o valor integral do financiamento. O esquema investigado pela Polícia Civil em Sorriso (MT) teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 2,5 milhões às vítimas.

O grupo ligado ao esquema movimentou cerca de R$ 50 milhões em contas bancárias no período de um ano. O delegado Thiago Meira ressaltou, porém, que o montante representa a movimentação financeira identificada e não significa que todo o dinheiro tenha origem ilícita.

A investigação resultou na Operação Pátio Paralelo, deflagrada nesta quarta-feira (26). Mais de 20 ordens judiciais foram expedidas, entre elas um mandado de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, nove afastamentos de sigilo bancário e cinco bloqueios de ativos financeiros.

A mulher apontada pela investigação como responsável por uma parte central da operação do esquema não foi localizada e é considerada foragida. Segundo o delegado, ela atuava como vendedora da concessionária e movimentou aproximadamente R$ 8 milhões em uma conta pessoal durante um ano.

Carro usado não entrava na negociação

De acordo com a Polícia Civil, os clientes procuravam uma concessionária de uma marca conhecida mundialmente para comprar veículos novos. Na negociação, entregavam o automóvel usado como parte do pagamento ou transferiam valores referentes à entrada.

No entanto, os carros usados não eram registrados nem contabilizados pela concessionária. Eles teriam sido desviados para outra garagem de Sorriso, também alvo das buscas realizadas nesta quarta-feira.

Os pagamentos, por sua vez, eram direcionados para contas pessoais da vendedora ou de pessoas e empresas relacionadas ao grupo, em vez de serem depositados na conta da concessionária.

As vítimas percebiam o problema posteriormente, ao consultar o financiamento e constatar que o valor entregue como entrada não havia sido abatido da dívida. Até o momento, entre 15 e 20 possíveis vítimas foram identificadas, mas a polícia acredita que esse número poderá aumentar.