Política SERA?
Galvan critica pena de até 40 anos para feminicídio: “Morte de mulher não é diferente da de um homem”
Durante coletiva de imprensa, Antônio Galvan disse que discorida da diferenciação de penas para crimes passionais e aponta desestruturação familiar como raiz da violência.
19/08/2026 21h11
Por: Redação H1MT
Reprodução

Candidato ao Senado por Mato Grosso, o produtor rural Antônio Galvan (Avante) criticou a imposição de penas de até 40 anos de prisão para autores de feminicídios. Durante entrevista à imprensa hoje (19) na Assembleia Legislativa, o ex-presidente da Aprosoja Brasil afirmou ser contrário a qualquer tipo de "cota" ou distinção legal com base no gênero. Para ele, homens e mulheres que cometem crimes passionais devem ter o mesmo tipo de penalidade.

"A morte de uma mulher não é diferente da morte de um homem. Nós somos seres humanos. Toda lei em que você prevalece um lado, ela não funciona e nunca funcionou e não vai funcionar", declarou o candidato, defendendo que a legislação aplique punições idênticas independentemente do sexo da vítima ou do agressor.

A declaração ocorre em um cenário alarmante no estado. Mato Grosso registra 31 feminicídos em 2026. No entanto, para Galvan, o endurecimento das penas não resolve o problema, além de ser uma injustiça com os homens.

"Você pode botar 100 anos de pena para o cara, pode botar prisão perpétua, que, quando existe uma provocação pelo sistema, pela causa, acaba acontecendo [a morte]. Então, o que tem que trabalhar é na causa do problema e não falar depois que o problema aconteceu".

O candidato apontou ainda que a crise econômica e a desestruturação dos lares como catalisadores de conflitos domésticos. Segundo ele, a pressão financeira diária afeta diretamente as famílias, gerando um ambiente de desgaste contínuo entre casais.

"Imagina pagar as contas que são fixas de água, telefone, energia e assim por diante. Esse é um dos fatos hoje que está acontecendo, e essa briga interna do lar acaba virando em morte. Só que tem morte dos dois lados", concluiu.

Sobre o caso brutal em que Daniel Borges de Jesus, de 46 anos, tentou matar a ex-mulher de 32 anos, com golpes de faca, dentro de uma mercearia em Nova Mutum (264 km de Cuiabá), o candidato minimizou a gravidade do cenário. "Vou fazer o que?"

Morte em números

Os números do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), mostram que, até agora, junho foi o mês mais violento do ano, com sete feminicídios. Março aparece logo atrás, com seis.

Maio registrou quatro mortes. Janeiro e abril tiveram três vítimas cada. Já fevereiro e julho contabilizaram duas ocorrências cada. Os feminicídios registrados neste ano já deixaram 41 órfãos em Mato Grosso.

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

Com informações do Repórter MT