Economia ECONOMIA
Biodiesel é alternativa para soja brasileira reduzir dependência da China
Secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, afirma que governo intensificou prospecção de novos mercados e vê transição energética como alternativa para absorver parte da produção brasileira de grãos
11/08/2026 06h56
Por: Redação H1MT
Foto: Ayrton Vignola

O Brasil terá de acelerar a abertura de novos mercados e ampliar o consumo doméstico de produtos agrícolas diante da estratégia da China de reduzir a dependência de importações de alimentos nos próximos anos, em especial com o uso de biodiesel.

A avaliação é do secretário de Política Agrícola do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Guilherme Campos, que, em entrevista à CNN, disse que a transição energética um dos principais “atenuantes” para uma eventual desaceleração da demanda externa, principalmente por meio da expansão do biodiesel e do etanol.

A China é o principal destino de diferentes produtos do agronegócio brasileiro e tem peso especialmente relevante para a soja. A cada dez toneladas da oleaginosa embarcadas, sete vão para os portos chineses.

Diante dessa dependência, uma parcela maior da produção poderia ser destinada ao esmagamento para fabricação de biodiesel, lembra Campos.

O processo, segundo ele, ainda teria um efeito adicional sobre a pecuária: além do óleo destinado ao combustível, aumentaria a disponibilidade de farelo para alimentação animal, reforçando a competitividade das proteínas brasileiras.

“Na moagem, parte do óleo vai para biodiesel, aumenta a disponibilidade para ração animal e aumenta ainda mais a competitividade da proteína animal brasileira”, afirmou.

Na avaliação do secretário, o país precisa se preparar para um cenário de menor dependência do mercado chinês, ainda que existam dúvidas sobre a capacidade de Pequim de substituir internamente todo o volume que hoje importa.

“O que eles fazem, planejam, eles executam. Ninguém pode falar que não sabia. Eles estão avisando”, disse Campos.

Segundo ele, o movimento também coloca uma questão para a expansão contínua da produção agropecuária brasileira: se a oferta continuar crescendo, será necessário encontrar compradores ou ampliar usos domésticos para absorver os volumes adicionais.