Após uma convenção marcada por forte divisão interna, o União Brasil decidiu não lançar candidatura própria ao governo de Mato Grosso e aprovou, nesta quinta-feira (30), a adesão da Federação União Progressista a uma aliança majoritária com o Republicanos. A decisão rejeitou a candidatura do senador Jayme Campos ao Palácio Paiaguás e expôs o racha entre diferentes alas da legenda.
Durante a contagem de foram contabilizados 19 votos pela candidatura de Jayme Campos, 30 pela coligação com o Republicanos, um nulo e uma ausência. Após o anúncio do resultado, o teatro foi tomado pelo silêncio dos apoiadores de Jayme e tímidas manifestações de discordância com o decisão do partido.
A definição ocorreu após cinco horas de votação secreta entre os 51 convencionais do partido. Em disputa estavam duas propostas: lançar Jayme Campos como candidato ao governo ou autorizar a federação a compor uma chapa majoritária com o Republicanos. Ao fim da apuração, prevaleceu a segunda alternativa.
A tensão já havia marcado toda a convenção. Nos bastidores, lideranças divergiam sobre qual estratégia seria mais competitiva para a disputa estadual, transformando a votação em um dos momentos de maior desgaste interno da legenda desde sua criação.
O impasse também evidencia diferenças que acompanham o União Brasil desde sua formação, resultado da fusão entre o Democratas (DEM) e o Partido Social Liberal (PSL). A união de grupos com históricos e projetos políticos distintos tem provocado disputas recorrentes pelo comando das decisões partidárias em Mato Grosso.
Com a aprovação da aliança, a Federação União Progressista fica autorizada a integrar a chapa majoritária liderada pelo Republicanos na disputa pelo Governo de Mato Grosso, que deve lançar Otaviano Pivetta como nome ao Palácio Paiaguás. A convenção do partido está marcada para a próxima quarta-feira (04).
Além da definição sobre a estratégia para a eleição ao Executivo estadual, o União Brasil homologou as candidaturas proporcionais. Para a Câmara dos Deputados, foram confirmados os nomes da deputada federal Gisela Simona, da primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, de Altemar Lopes da Silva, Ednei Blasius, Carlos Eduardo Silva Sanchez Roman e do ex-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia.
Na disputa por vagas na Assembleia Legislativa, foram oficializadas as candidaturas dos deputados estaduais Júlio Campos, Sebastião Rezende, Dilmar Dal Bosco e Michelly Alencar, além de Wender Roman, Eliane da Silva Ferreira, Cenira Benedita Evangelista, Lédio Procópio de Souza e Antônio Carlos da Silva Barros.
Durante a convenção, o ex-governador Mauro Mendes também foi homologado como candidato ao Senado pela Federação União Progressista, consolidando a composição da chapa para as eleições deste ano.