Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre grande parte dos produtos importados do Brasil, ampliando a tensão comercial entre os dois países. A medida foi divulgada pelo governo norte-americano na noite de quarta-feira, 15 de julho, e passa a atingir milhares de mercadorias brasileiras.
Entre os setores alcançados pela nova tributação estão açúcar, aço, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos, papel, vestuário e diferentes produtos industriais. Café, carne bovina, produtos energéticos, aeronaves e peças de aviões ficaram de fora da relação principal de itens taxados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão como injustificada e informou que o Brasil deverá utilizar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.
O governo também pretende discutir o caso no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. A estratégia brasileira será buscar uma saída diplomática, sem descartar medidas de resposta caso as negociações não avancem.
A aplicação das tarifas ocorre depois de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. O governo norte-americano acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais aos interesses de empresas dos Estados Unidos.
Entre os pontos questionados estão políticas relacionadas ao comércio digital, ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, ao desmatamento ilegal e à suposta falta de abertura em alguns setores da economia.
O Brasil rejeita as acusações e sustenta que suas políticas comerciais e ambientais respeitam as normas internacionais.
A taxação de 25% poderá reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano. Com o imposto, as mercadorias passam a chegar mais caras aos importadores, o que pode provocar perda de contratos, redução das vendas e pressão sobre setores que dependem dos Estados Unidos.
As empresas mais expostas deverão avaliar a renegociação de contratos, a busca por outros mercados e possíveis ajustes na produção.
Embora produtos importantes tenham sido incluídos nas exceções, a medida afeta segmentos relevantes da indústria e do agronegócio. O alcance dependerá do detalhamento das tarifas e do tempo de permanência da nova política comercial.
Além da tarifa anunciada, outra investigação conduzida pelos Estados Unidos deverá ser concluída no dia 24 de julho. O processo analisa possíveis relações de cadeias produtivas internacionais com trabalho forçado.
Caso o Brasil também seja atingido por essa segunda medida, alguns produtos poderão sofrer uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga total para até 37,5%.
Especialistas avaliam que a ofensiva comercial faz parte de uma estratégia do governo norte-americano para pressionar países a renegociarem acordos e condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos.
O governo brasileiro deverá intensificar o diálogo com empresários e representantes dos setores afetados para medir os impactos e definir medidas de proteção às exportações.