Rairo Andrey Borges Lemos, acusado de matar o próprio filho, Davi Lucca da Silva Lemos, de 2 anos de idade, alegou sofrer de amnésia e disse não se lembrar da morte da criança, durante interrogatório realizado em audiência de instrução e julgamento na quarta-feira (17), em Sorriso (MT). A morte do bebê ocorreu no dia 2 de janeiro deste ano.
Segundo o acusado, recorda-se apenas que no dia dos fatos, pela tarde, se encontrou com a mãe do bebê, sua ex-companheira e falou que queria reatar o relacionamento. Eles estavam separados há cerca de duas semanas.
No entanto, lembra que a mulher não quis retomar o namoro e que estava reconstruindo a vida afetiva. Perguntado sobre a morte do bebê, disse que não se lembrava de nada.
Durante o ato foram ouvidas a mãe da criança, a delegada de polícia responsável pelas investigações Laysa Crisóstomo, um investigador de polícia, uma vizinha de Rairo, e dois policiais militares que atuaram na ocorrência. Em depoimento a mãe do bebê chorou, fez um forte relato e emocionou os presentes.
Ao final da audiência, o advogado de Rairo fez novamente um pedido de revogação da prisão. O Ministério Público (MPMT) se manifestou contrário ao pedido, alegando que o acusado queria atingir emocionalmente a ex-companheira.
Para o MP, a vítima foi escolhida justamente por ser o filho, como forma de retaliação e punição emocional à mãe por não querer reatar o relacionamento.
A permanência da prisão, além da gravidade do crime, também teria intuito de resguardar a integridade psicológica da vítima indireta, a mãe, que permanece submetida aos efeitos do fato criminoso e à própria tramitação processual.
Diante dos relatos o juiz concedeu o prazo de cinco dias para apresentação das alegações finais pelo Ministério Público e pela defesa. Após essa fase, o magistrado decidirá se pronuncia o acusado para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Enquanto isso, Rairo permanece preso preventivamente na unidade penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, Ferrugem, em Sinop (MT).
Segundo as investigações, Davi Lucca morreu após ser asfixiado, dentro da própria casa, no dia 2 de janeiro deste ano, em Sorriso. O crime teria sido motivado pelo ciúme que Rairo tinha da ex-companheira, que estava em novo relacionamento.
De acordo com a denúncia do MPMT, as investigações indicaram que o homicídio foi premeditado, praticado por asfixia e contra vulnerável, circunstâncias que caracterizam meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Foi pedido ainda que o acusado, caso seja condenado, pague indenização por danos psicológicos causados à mãe do bebê em R$ 1 milhão.