Geral Pescado Ilegal
Pintado, dourado e piraputanga: 900 kg de pescado ilegal são apreendidos em MT
Denúncias anônimas levaram a Polícia Civil a investigar o caso e descobrir esquema que fornecia notas fiscais para dar aparência de legalidade à comercialização dos peixes capturados ilegalmente.
03/06/2026 10h03
Por: Redação H1MT
Mais de 900 quilos de peixe pescado ilegalmente são apreendidos em ação da Dema. – Foto: PJC-MT

Três homens foram presos e mais de 900 quilos quilos de pescado foram apreendidos na tarde dessa terça-feira (2) durante uma ação da Polícia Civil que desarticulou um esquema de compra e venda de peixes capturados ilegalmente no Rio Cuiabá, na região da Ponte Sérgio Motta, entre Cuiabá e Várzea Grande.

Entre as espécies apreendidas estão pintado, piraputanga, pacupeva e dourado, peixes nativos cuja captura, transporte e comercialização estão proibidos pela Lei do Transporte Zero em Mato Grosso.

As investigações da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) tiveram início após denúncias anônimas e a circulação de vídeos nas redes sociais que mostravam práticas de pesca predatória no Rio Cuiabá.

A partir das informações recebidas, os policiais passaram a monitorar um dos principais suspeitos apontados como responsável pela distribuição do pescado ilegal.

Segundo o delegado Guilherme Pompeo, que está a frente do caso, o investigado já vinha sendo acompanhado há semanas e era considerado uma peça importante no esquema criminoso.

“Ele recebia peixes de diversas pessoas, realizava o beneficiamento, fracionava os exemplares e os colocava à venda. Durante a vigilância, flagramos a entrega de peixes ao suspeito, o que permitiu a abordagem e a prisão em flagrante”, explicou.

A operação levou os policiais até uma residência onde foram encontrados 232 quilos de pescado irregular. No local também foram apreendidos freezers, balanças, materiais utilizados na fabricação de redes de pesca, celulares e agendas com registros de compra e venda de pescado.

Esquema de ‘notas frias’

As investigações também apontaram a participação de uma tradicional banca de peixes localizada na Feira do Praeirinho, em Cuiabá.

Conforme a Polícia Civil, o estabelecimento teria fornecido notas fiscais em branco para dar aparência de legalidade à comercialização dos peixes capturados ilegalmente.

Durante a fiscalização no ponto comercial, os agentes encontraram exemplares de piraputanga escondidos entre peixes cuja venda é permitida, numa tentativa de ocultar a presença das espécies proibidas.

“O proprietário da banca forneceu notas fiscais de forma irregular e, para nenhuma surpresa da equipe, encontramos peixes proibidos escondidos entre pescados legais. Diante dos fatos, ele também recebeu voz de prisão e foi conduzido à delegacia”, afirmou o delegado.

Ao todo, três homens foram presos e deverão responder pelo crime de comercialização de pescado ilegal, cuja pena pode chegar a três anos de prisão. Todo o pescado apreendido será submetido à perícia.

Investigações continuam

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos na pesca predatória e no esquema de distribuição dos peixes.

De acordo com o delegado Guilherme Pompeo, o foco das ações é atingir todos os integrantes da cadeia criminosa, desde os pescadores até os responsáveis pela venda ao consumidor final.

“Nós investigamos todos que compõem essa cadeia, desde aqueles que realizam a captura, passando pelos transportadores, até os financiadores e comerciantes que recebem, beneficiam e comercializam esse pescado ilegalmente”, concluiu.