O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O placar foi de 42 votos contra e apenas 34 a favor, configurando o que analistas descrevem como uma derrota histórica para o governo federal.
Segundo o analista de Política Pedro Venceslau, o resultado não foi surpresa para pessoas próximas a Davi Alcolumbre. "Já havia alertado que senadores do centrão, senadores próximos ao Davi Alcolumbre, previam muitas dificuldades para o governo", afirmou Venceslau durante o Hora H desta quarta-feira (29).
"Quando a base do governo começou a falar em um placar de 41, 43 votos a favor, já foi um sinal de que a situação estava ficando complicada para Jorge Messias. Em geral, o governo joga lá para cima as expectativas e o placar fica logo abaixo disso", destacou o analista.
enceslau destacou que, no início da sessão, Davi Alcolumbre deu a entender que tentava ajudar o governo a garantir o quórum necessário para a votação. "O Planalto acreditou, no início, que Davi Alcolumbre estava disposto a colaborar com a aprovação, depois começou a enxergar uma neutralidade e agora, no dia da votação, começou a perceber que tinha algo acontecendo nos bastidores".
Por se tratar de uma votação secreta, muitos senadores que haviam sinalizado voto favorável acabaram votando contra. A leitura de Venceslau é que houve algum tipo de movimentação de Alcolumbre para que o governo sofresse a derrota.
"Uma derrota que é inédita desde a redemocratização", ressaltou o analista. Venceslau lembra que a última vez que o Senado rejeitou uma indicação ocorreu apenas em 1894, quando Floriano Peixoto tentou indicar seu médico para o Supremo Tribunal Federal e não obteve êxito.
Com o resultado, a relação entre o Palácio do Planalto e Davi Alcolumbre deve enfrentar forte turbulência. "O governo Lula sofre uma derrota histórica e, a partir de amanhã, vai ter que rediscutir os termos da relação do Palácio do Planalto com Davi Alcolumbre", conclui Venceslau.