O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo (União Brasil), "destilou veneno" à movimentação de deputados estaduais para a abertura de uma CPI da Saúde. Para ele, o interesse em investigá-lo neste momento está atrelado ao campo eleitoral, uma vez que ele planeja deixar o cargo em abril para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
O gestor relembrou seu desempenho nas urnas em 2022, quando obteve 28 mil votos, e sugeriu que sua entrada na disputa gera receio de renovação entre os atuais ocupantes das 24 cadeiras da Casa. "Tive mais votos que 11 deputados que foram eleitos. Talvez isso incomode alguns", disparou.
Mesmo classificando a pressão como um "desconforto" típico do período pré-eleitoral, o secretário afirmou estar pronto para o enfrentamento e confirmou que sua desincompatibilização do governo está mantida para o início de abril.
"Cada um joga o jogo como tem que ser jogado. Eu tenho que passar por isso e vou ter o desconforto de enfrentar, no campo eleitoral, todas as adversidades. Minha vontade é de ser candidato, mas isso só ocorre após as convenções." A declaração foi dada em 11 de fevereiro, durante coletiva de imprensa.
A CPI
A CPI da Saúde, oficializada no Diário Oficial em 6 de fevereiro, tem como objetivo apurar supostas irregularidades em licitações da Secretaria de Estado de Saúde (SES) entre 2019 e 2023.
O foco das investigações recai sobre contratos firmados durante a pandemia e fatos desdobrados pela Operação Espelho, da Polícia Civil. O deputado Wilson Santos (PSD), autor do requerimento, preside a comissão e cobrou hoje (11) a indicação oficial dos membros titulares e suplentes pelos blocos partidários para a instalação dos trabalhos após o Carnaval.