Na tarde de 1º de dezembro, durante mais uma sessão na Câmara de Vereadores de Campo Novo do Parecis, o tema central não poderia ser outro: o fechamento do centro cirúrgico do Hospital Municipal, que permanece sem funcionamento desde o dia 27 de novembro, obrigando a transferência de pacientes para cidades vizinhas.
Em tribuna, o médico e vereador Dr. Andrei (Progressistas) destacou a gravidade da situação e cobrou providências imediatas do Executivo Municipal.
“Como representante do povo, o que eu peço ao Executivo é clareza e transparência nos atos, e que o centro cirúrgico seja reaberto o mais breve possível. Nós precisamos do centro cirúrgico. Eu posso sair daqui agora, ter uma apendicite supurada e morrer porque o centro cirúrgico está fechado”, afirmou o vereador.
A situação preocupa porque, em mais de 20 anos de funcionamento, o Hospital Municipal nunca havia enfrentado um cenário semelhante. Campo Novo do Parecis cresce em ritmo acelerado, mas conta com apenas um hospital público para atender mais de 50 mil habitantes.
Os números reforçam o impacto da interdição: são mais de 50 partos por mês e uma média de 150 procedimentos cirúrgicos mensais. A interrupção das atividades evidencia uma falha grave da Secretaria Municipal de Saúde, que não realizou as adequações exigidas pela Vigilância Sanitária meses atrás.
O governo municipal tenta transferir a responsabilidade para a instituição gestora, mas ignora que, conforme contrato, toda obra de estruturação e aquisição de equipamentos é de competência da Secretaria de Saúde. O prefeito Edilson Piaia (PL) segue enfrentando dificuldades para garantir uma saúde de qualidade — e vale lembrar: sua promessa de campanha era entregar 10 leitos de UTI no primeiro ano de mandato, algo que claramente não será cumprido.