Mato Grosso POTÊNCIA
Mato Grosso se consolida na produção de etanol de milho
Coprodutos do etanol de milho já reforçam a pecuária no Estado e projetam novas oportunidades no mercado internacional
03/09/2025 05h16
Por: Redação H1MT

Mato Grosso se consolidou como polo central do etanol de milho no Brasil e deve ter papel decisivo na expansão do setor até 2030. Hoje, o estado concentra 77% da capacidade instalada nacional, com mais de 2,5 bilhões de litros ao ano, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

O movimento começou lá em 2017, quando a primeira usina dedicada ao grão abriu as portas no Estado. De lá para cá, o setor não parou de avançar. As projeções indicam que o Brasil deve alcançar 10 bilhões de litros até 2030 e que Mato Grosso, sozinho, pode chegar a 14 bilhões em 2034, aproximando-se de São Paulo na liderança nacional do setor.

O diretor executivo da indústria de bioenergia de Mato Grosso (BIOIND), Giuseppe Lobo, lembra bem dessa virada: “Desde 2017, quando se instalou a primeira usina no estado, temos visto um incremento exponencial ano após ano e a gente espera que esse crescimento continue”, disse. Para ele, a safra 2025/26 deve consolidar esse avanço, com produção de 7 bilhões de litros, dos quais 6 bilhões serão a partir do milho”.

Produção nacional em alta

De acordo com projeções da Unem e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o Brasil deve sair dos 6,3 bilhões de litros registrados em 2023/24 para 10 bilhões até 2030. Lobo avalia que Mato Grosso seguirá puxando essa curva de crescimento e projeta que até 2034 o estado alcance sozinho 14 bilhões de litros.

“A nossa perspectiva é consolidar o Mato Grosso como segundo maior produtor ou, quem sabe, alcançar São Paulo como maior produtor de etanol do país”, afirmou.

O impacto em Mato Grosso vai além do combustível. Do mesmo processo produtivo surgem os coprodutos DDG e DDGS, usados na alimentação de bovinos, suínos e aves. Eles já ajudam a reduzir a idade de abate e a elevar a produtividade da pecuária. A Unem projeta que a produção desses insumos chegue a 6 milhões de toneladas até 2030, abastecendo não só os rebanhos locais como também cadeias de proteína animal em outros estados.

Lobo também destacou que Mato Grosso responde atualmente por cerca de 80% do etanol de milho no país. Ele pondera, porém, que a participação percentual tende a diminuir conforme outros estados do Centro-Oeste e do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia avancem na produção. Ainda assim, reforça que isso não vai tirar o protagonismo mato-grossense: “O milho do estado vai continuar fomentando essa indústria e sendo o grande motor da produção de etanol no Brasil”, disse.

Outro ponto em discussão no setor é a possibilidade de exportações. Hoje, Mato Grosso ainda não envia etanol para outros países, mas acompanha os debates sobre transição energética em áreas como transporte marítimo e aviação. A expectativa é que, nos próximos anos, empresas passem a vender etanol e também combustíveis avançados para o mercado externo.

“O objetivo é consolidar o Mato Grosso não apenas como posto de combustível do Brasil, mas como fonte de energia renovável para o mundo”, destacou Lobo.

No mercado interno, o etanol de milho foi determinante para o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que passou de 27% para 30%. Segundo ele, o etanol de milho hoje cumpre um papel muito importante para a garantia do abastecimento de etanol em todo o país.

“O etanol de milho garantiu a oferta que possibilitou esse avanço. E temos certeza de que vamos continuar crescendo, alcançando também o próximo degrau previsto no programa Combustível do Futuro, que é a mistura de 35%”, concluiu.