O Supremo Tribunal Federal (STF) dá início, nessa terça-feira, (2), o processo que tem como réu principal o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete de seus principais aliados, incluindo ex-comandantes das Forças Armadas, acusados de integrar uma organização criminosa armada que arquitetou uma tenta de golpe de Estado para reverter os resultados das eleições presidenciais de 2022.
Este não é um julgamento qualquer. Cerca de dois anos e meio após os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, que vandalizaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, a Corte Suprema se prepara para um veredicto inédito: a possível condenação à prisão de um ex-chefe de Estado e de generais do Exército pela acusação formal de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Para se ter uma dimensão, esse tipo de evento não ocorria desde a redemocratização do país.
O interesse público e midiático é enorme. O STF recebeu 501 pedidos de credenciamento de jornalistas da imprensa nacional e internacional, um número que reflete a dimensão internacional do caso. Em uma iniciativa inédita de transparência, o Tribunal também abriu espaço para que cidadãos e advogados acompanhassem o julgamento presencialmente, recebendo 3.357 inscrições.
Devido à limitação de espaço, apenas os primeiros 1.200 inscritos poderão assistir à transmissão ao vivo em um telão instalado em uma sala anexa.