Economia ECONOMIA
Fim de uma era: “Taxa da blusinha” afeta americanos e comércio global
Regra que permitia entrada de produtos de até US$ 800 sem taxação chega ao fim nesta sexta (29), enquanto afeta gigantes do e-commerce como Shein e Temu
30/08/2025 06h33
Por: Redação H1MT
Reprodução

Por quase um século, pacotes de baixo valor vindos do exterior entravam nos Estados Unidos livres de impostos, graças à chamada "regra de minimis", que desde 2015 se aplicava a encomendas com valor inferior a US$ 800.

A brecha reformulou a maneira como inúmeros americanos fazem compras, permitindo que muitas pequenas empresas globalmente vendessem produtos para consumidores americanos com relativa facilidade e possibilitando, em particular, que sites chineses de e-commerce com preços ultrabaixos como Shein, Temu e AliExpress vendessem desde roupas até móveis e eletrônicos diretamente para compradores americanos, escapando de muitas tarifas aplicadas a pacotes que excedem o limite de US$ 800.

Mas esses dias acabaram. A partir desta sexta-feira (29), todas as mercadorias importadas — independentemente de seu valor — estão agora sujeitas a tarifas de 10% a 50%, dependendo de seu país de origem. (Em alguns casos, podem enfrentar uma taxa fixa de US$ 80 a US$ 200, mas apenas pelos próximos seis meses.)

Dor de cabeça para os serviços de entrega

Antes do fim da regra de minimis, diversos serviços de entrega em toda a Europa, bem como Japão, Austrália, Taiwan e México suspenderam as entregas para os Estados Unidos, citando desafios logísticos de conformidade.

A transportadora internacional UPS, por sua vez, disse em comunicado à CNN na quinta-feira: "Estamos preparados para as novas mudanças e não prevemos nenhum acúmulo ou atraso."

A DHL, que suspendeu o serviço para envios de encomendas padrão da Alemanha, mas continua enviando pacotes internacionais para os Estados Unidos de todos os outros países que atende, informou à CNN que as remessas "podem sofrer atrasos durante o período de transição enquanto todas as partes se ajustam às mudanças na política e regulamentação tarifária."

O Serviço Postal dos Estados Unidos e a FedEx se recusaram a comentar se os clientes devem antecipar atrasos.

"Nossos sistemas estão totalmente programados e equipados para apoiar a implementação sem problemas dessas mudanças. O CBP se preparou extensivamente para esta transição e está pronto com uma estratégia abrangente, tendo fornecido orientação clara e oportuna aos parceiros da cadeia de suprimentos, incluindo operadores postais estrangeiros, transportadoras e terceiros qualificados para garantir a conformidade com as novas regras."