Mato Grosso No Fantástico
Registros inéditos revelam modo de vida de indígenas isolados em uma das regiões mais remotas da Amazônia
O Fantástico deste domingo (16) fez uma expedição inédita para acompanhar o trabalho de monitoramento e proteção dos Kawahiva do Rio Pardo, que enfrentam o risco do avanço do garimpo e do desmatamento.
17/02/2025 07h33
Por: Redação H1MT Fonte: globo
Reprodução

O Fantástico deste domingo (16) fez uma expedição inédita por uma das regiões mais remotas da Amazônia no Estado de Mato Grosso, para acompanhar o trabalho de monitoramento e proteção dos indígenas isolados Kawahiva do Rio Pardo.

Foram mais de 120 quilômetros floresta a dentro. É um povo que enfrenta o risco do avanço do garimpo e do desmatamento ilegal.

Vestígios

Durante a expedição, os agentes identificaram vestígios da presença do povo indígena, como castanheiras derrubadas para extração de alimento, além armadilhas usadas para caçar. Tudo foi registrado.

"A partir dessas informações é que a gente consegue, além de comprovar a existência deles, comprovar a área de ocupação deles, verificar que eles estão bem", destaca Rodrigo Ayres, indigenista da Funai.

A equipe ainda encontrou um tapiri, que é a casa dos Kawahiva do Rio Pardo, um vestígio mais próximo que pode confirmar a presença deles no território.

"Aqui morava uma família. Como eles são nômades, então de tempo em tempo eles vão estar mudando. Quando a caça fica escassa, o peixe, a fruta, eles mudam pra outra região", explica Jair.

No local, a equipe da Funai deixou um facão como brinde e fez uma marcação com um "X".

"Eles não sabem o que é a Funai, não têm ideia de que é a Funai. Eles sabem que é um povo com uma ideia diferente, que não vive atropelando eles, não vive dando tiro neles, isso eles sabem", afirma Jair.

Uma das técnicas da Funai para proteção do povo isolado é instalar câmeras de monitoramento pela região. Conseguir um registro deles é algo raro. Uma imagem foi gravada em 2021. Um indígena passa, aparentemente apressado. Ele usa um cocar, carrega arco e flecha e lanças enormes.

Uma imagem mais recente, registrada em dezembro de 2024, mostra quando um indígena Kawahiva passa pelos brindes deixados pela Funai e ignora os objetos. Na sequência, ele volta e a câmera consegue registrar a passagem dele e é possível ver que ele está carregando o arco, flechas e um cesto.

Marcos Aurelio Tosta, coordenador-geral de indígenas isolados da Funai, explica o valor de imagens como essa para o trabalho de monitoramento.