Mato Grosso Investigação
CNJ investiga juiz por suposta irregularidade na investigação que confiscou celular de advogado assassinado em Cuiabá
Mensagens encontradas no celular de Zampieri levaram, em agosto deste ano, ao afastamento de dois desembargadores de Mato Grosso por suspeita de venda de decisões judiciais.
11/12/2024 16h37
Por: Redação H1MT

O juiz do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Wladymir Perri, é investigado por suspeita de infração disciplinar no inquérito da morte do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, em Cuiabá. A decisão unânime da instauração do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi tomada durante a 16ª Sessão Ordinária de 2024, nessa terça-feira (10).

O corregedor nacional de Justiça, ministro Campbell Marques, destacou que as irregularidades cometidas pelo juiz são graves, como o fato de o magistrado ter confiscado o celular da vítima e negado acesso ao material. O juiz também teria violado lacres de envelopes sem o acompanhamento da defesa.

Ele também alegou que “há indícios de quebra de custódia de provas” sobre o investigado. Em sua defesa, o juiz argumentou no processo que recolheu as provas para resguardar a identidade da vítima.

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As mensagens encontradas no celular de Zampieri levaram, em agosto deste ano, ao afastamento de dois desembargadores de Mato Grosso por suspeita de venda de decisões judiciais. O lobista Andreson Gonçalves também seria um dos responsáveis por aproximar o advogado de desembargadores.

A defesa de Andreson alegou que as provas que embasaram a decisão que levou o nome do lobista como alvo de uma operação da Polícia Federal, foram obtidas após quebra de sigilo do celular de Zampierio que seria ilegal. O pedido declarou "ilícita e nula a utilização das provas coletadas na investigação" feita pelo CNJ.

De acordo com o STF, que negou um habeas corpus à Andreson, a investigação teve início quando um membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou o acesso a dados do celular de Zampieri. Como o aparelho continha informações pessoais e profissionais, o ministro disse que a decisão foi tomada com o intuito de buscar esclarecer se é permitido acessar esses dados, especialmente os que não têm relação direta com o crime. No entanto, a determinação foi questionada pela defesa de Andreson.